Tra$h Surgery 4 Cyborg

O método cut-up de William Burroughs (1978) antecipou, de certa forma, a natureza das plataformas digitais, nas quais conteúdos são organizados de forma fragmentada e, por vezes, surrealista, numa lógica aparentemente non-sense que cria um fluxo acelerado e repetitivo.

A acumulação desses conteúdos articula-se e produz uma nova identidade, que ganha forma através da narrativa do ciborgue proposta por Donna Haraway. A fusão entre a realidade social e a ficção, desenvolvida no “A Cyborg Manifesto” (2006), dissolve a distinção entre a identidade online e offline, materializando-se num corpo híbrido que flutua entre o ser humano e a máquina.

Tra$h Surgery 4 Cyborg (2024) é uma peça audiovisual que se apropria da estética frenética das plataformas digitais para explorar a possibilidade de uma nova forma de existência que emerge do ambiente virtual (Fig. 1).

 

A curta re-imagina a reconfiguração da identidade através de uma intervenção “cirúrgica” aplicada ao corpo, que sofre processos contínuos de metamorfose mediados pelo contexto virtual acelerado. Ao longo do vídeo, o corpo oscila entre representações físicas e simbólicas (Fig. 2 e 3), propondo o ciberespaço como um instrumento para a expansão da materialidade da carne.

 

 

 

 

Referências

Burroughs, W. S., & Gysin, B. (1978). The Third Mind. New York: Viking Press.

Haraway, D. (2006). A Cyborg Manifesto: Science, Technology, and Socialist-Feminism in the Late Twentieth Century. In S. Stryker & S. Whittle (Eds.), The Transgender Studies Reader (pp.103–118). New York: Routledge.