partymode101.mp4 (excerto)

O meu corpo é o avatar;

O avatar é o meu corpo.

Desconheço o verdadeiro azul do céu, apenas a sua versão pixelizada e infinita. Esqueci-me da sensação do tecido na pele, converso com o espelho e assim passam dias sem fim.

Originalmente concebido para a exposição PARTY MODE na EMERGE (2025) em Torres Vedras, com curadoria de Jorge Reis, o vídeo partymode101.mp4 apresenta o avatar como meio de exploração e transfiguração da relação humano-tecnológica. Deste modo, a avatar Rita Subtil é manipulada, desdobrando-se e assumindo várias identidades ou características, sejam estas meramente estéticas ou alusivas ao seu comportamento.

O vídeo inicia-se com um ruído audiovisual – o sinal de que o utilizador se conectou a uma realidade virtual na qual é um mero observador dos acontecimentos em tempo real. A avatar encontra-se numa festa povoada exclusivamente por várias versões de si mesma. As intervenientes interagem entre si, à medida que se vão multiplicando infinitamente. No final, um ruído crescente anuncia que o portal de ligação a esta realidade será cortado em breve. 

Este projeto reflete sobre o abandono do corpo físico em prol de um corpo virtual, mutável e moldável, simultaneamente sozinho e isolado. Este corpo, ou fantasma do corpo, é apresentado como substituto do eu físico, mais sedutor devido à sua natureza leve e exploratória.

partymode101.mp4 revela “um sentido de questionamento das fronteiras entre o real e o virtual e sobre o que é a pessoa, com tudo o que comporta ser-se pessoa, e sua extensão identitária, que vai além daquilo que é uma identificação física e emocional, que é transpessoal. Talvez, um dia, o avatar esteja para a pessoa como o nome da mesma está para si própria, e ao invés de vermos uma fotografia de nós no cartão de cidadão, possamos ver um avatar criado por nós como símbolo daquilo que realmente somos ou queremos ser. ” (Jorge Reis, texto da exposição, 2025)